Anjos, Lisboa, 2014

Tigre Papel, Lisboa, 2016

Liverpool, Lisboa, 2009

Paredes, Alenquer, 2017

Zaire, Lisboa, 2011

Valmor, Lisboa, 2017

Escoural, Lisboa, 2010

Av. E.U.A., Lisboa, 2016

Moçambique, Lisboa, 2010

Expo, Lisboa, 2010

Ajuda, Lisboa, 2007

Karmel, Torres Vedras, 2010

Eira da Palma, Tavira, 2009

1 Desde 2007 que tenho vindo a construir um caminho de convergência entre investigação e prática profissional. Enquanto investigador doutorado pela FAUP, tenho trabalhado no âmbito da história da arquitectura portuguesa e, mais recentemente, sobre os processos de participação e os movimentos sociais do pós-25 de Abril. A expressão dos meus projectos tem resultado de uma pesquisa em torno da identidade da arquitectura portuguesa e de um equilíbrio entre o desenho do lugar, a construção de um modo de habitar e uma ideia de conforto.

APP8

Portugal: oásis europeu

As medidas dos acordos assinados entre PS, Bloco, PCP e PEV já foram quase todas concretizadas? Sim. A geringonça perdeu pertinência? Claro que não.

Novos objectivos devem ser traçados e novos acordos deverão ser assinados. Muitos portugueses não estão satisfeitos com os níveis de precariedade atingidos, não estão satisfeitos com as condições dos estágios profissionais e das bolsas de investigação, não estão ainda satisfeitos com os números do desemprego, com os valores do salário mínimo ou com os níveis de impostos sobre o trabalho. O entendimento entre o governo e os partidos de esquerda contínua por isso a ser essencial.

Neste contexto, a pertinência da geringonça continua a incomodar muita gente e isso é visível todos os dias na comunicação social. Os constantes anúncios do fim da estabilidade e do acordo entre os diversos partidos revelam o vazio de ideias por parte da oposição e uma tremenda incapacidade de apontar soluções alternativas. Mas para todos aqueles que atacam esta solução governativa, pior do que ter uma geringonça a governar, é ter Marcelo Rebelo de Sousa a apoiá-la, mesmo quando esta pisa em ramo verde, como foi no caso da TSU.

Ultrapassado este primeiro ano, a responsabilidade dos partidos é agora maior do que nunca. A ideia de que a esquerda já concretizou o seu programa comum tem de ser desconstruída. Até agora cumpriram-se apenas uma espécie de «mínimos olímpicos». A geringonça tem ainda três anos para conquistar novas metas, sobretudo, em torno das questões do trabalho.

As eleições autárquicas poderiam ser uma oportunidade para reforçar acordos, fazer compromissos e assumir novas políticas comuns de coordenação entre o poder do estado e o poder local. Reconhecendo a utopia deste cenário, desejo que as autárquicas sirvam pelo menos para afirmar a força de uma maioria de esquerda que acima de tudo não quer o regresso das políticas de Passos Coelho e de Assunção Cristas.

A alternativa à deriva liberal, populista, proteccionista e nacionalista foi encontrada em Portugal por este governo e pelos partidos que o apoiam. Até ao momento esta tem sido a resposta mais eficaz à destruição da social-democracia e dos partidos socialistas europeus. O entendimento liderado por António Costa é por isso um oásis frágil num território vazio de ideias, dominado por interesses económicos, onde a palavra democracia está a perder importância. Este oásis tem de ser cuidadosamente preservado por todos os apoiantes da geringonça. Esta é a única forma dos partidos de esquerda continuarem a ter condições para comunicar e trabalhar com e para o seu eleitorado natural. Se o PS se afastar da sua raiz e o Bloco e o PC se preocuparem apenas com a táctica política, também em Portugal veremos a direita e o populismo conquistarem o espaço e os temas essenciais junto dos mais pobres e mais desprotegidos. Preservemos o oásis para que este ano não tenha sido apenas uma miragem.